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O Valor da Persistência

14 Nov

Na fase em que se encontra este projecto, iniciado e estruturado, e, da minha parte, ultrapassado o patamar do desconhecimento completo, parece-me oportuno recordar Miguel Torga:

 

RECOMEÇA SEMPRE

Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Uma Questão de Comunicação

9 Nov

A nossa atitude na comunicação/interacção com os que nos rodeiam pode ser determinante do desenvolvimento da mesma. Queremos dar continuidade ao ciclo do ódio, ou preferimos inverter a corrente negativa e reiniciar o ciclo do amor?

Penso que este exemplo nos faz reflectir e “contar até dez”, quando nos sentimos agredidos.

O Ciclo do Ódio

O Homem Equânime

6 Nov

No livro Os Melhores Contos Espirituais do  Oriente podem encontrar a lição de vida que se segue. Esperamos que  seja um pretexto para uma reflexão sobre a maneira como encaramos as adversidades que vão surgindo.

O HOMEM EQUÂNIME

Era um homem viúvo querido por todos, que vivia numa aldeia na companhia do seu único filho. Possuía um cavalo e, certo dia, ao acordar de manhã e ir ao estábulo para dar de comer ao animal, viu que este tinha fugido. A notícia correu a aldeia e os vizinhos foram vê-lo para lhe dizer:

– Que azar que tu tiveste! Só tinhas um cavalo, e fugiu.

– Pois é, pois é, ele fugiu – concordou o homem.

Passaram-se dias e, numa solarenga e bonita manhã, quando o homem saía de casa para dar um passeio, reparou que, à sua porta, não só estava o seu cavalo como este ainda tinha trazido outro com ele. Os vizinhos foram vê-lo e disseram:

– Que sorte que tu tiveste! Não só recuperaste o teu cavalo como agora tens dois!

– Pois é, pois é – disse o homem.

Ao ter dois cavalos, pai e filho podiam ir montar. Frequentemente galopavam um junto ao outro. Mas eis que um dia o filho caiu do cavalo e fracturou uma perna. Quando os vizinhos foram ter com o homem, comentaram:

– Que azar, um verdadeiro azar! Se aquele cavalo não tivesse aparecido, o teu filho estaria bem.

– Pois é, pois é – disse o homem imperturbável.

Passaram duas semanas. Rebentou a guerra. Todos os jovens da aldeia foram mobilizados menos o rapaz que tinha a perna fracturada. Os vizinhos foram visitar o homem e exclamaram:

– Tu é que tens boa sorte! O teu filho foi o único que se livrou da guerra.

– Pois é, pois é – respondeu o homem equânime.

 A pessoa que sabe ver torna-se equânime; a pessoa que é equânime vê e compreende com mais claridade.

Ninguém, no momento em que se dá um sucesso, dispõe da perspectiva necessária para saber se aquilo que acontece de agradável será sempre agradável, ou o que acontece de desagradável será sempre desagradável, e que uma coisa não leva à outra.

Quem pode penetrar o insondável terreno do incognoscível? Por vezes, o que pensamos ser uma catástrofe para nós pode tornar-se numa bênção, e vice-versa.

A pessoa equânime sabe esperar com ânimo estável e mente firme e, especialmente, sabe fluir com a natureza transitória de tudo o que é relativo aos fenómenos.

 

Equanimidade: igualdade de ânimo perante a prosperidade e a adversidade; serenidade de espírito. (Dicionário Porto Editora)