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José Saramago – O Viajante nas Caldas da Rainha

16 Nov

José Saramago (1922-2010) completaria hoje 88 anos.

O escritor nasceu em Azinhaga, concelho da Golegã, no dia 16 de Novembro, e faleceu no dia 18 de Junho de 2010, em Tías, Lanzarote.

 

“De manhã, nas Caldas, vai-se ao mercado. O viajante foi, mas não fez compras. O mercado das Caldas é para avios domésticos, não tem mais pitoresco do que isso. Em grande engano caem os turistas que indo de passagem vêem o magote de vendedores e compradores, tão ao natural, e irrompem excitadíssimos, enristando máquinas fotográficas, à procura do ângulo raro e do raro espécime que lhe enriquecerá a colecção. Em geral, o turista fica frustrado. Para ver comprar e vender não precisava vir tão longe.

 

Onde se está bem, é no jardim. Ao mesmo tempo íntimo e desafogado, o jardim das Caldas da Rainha é, para usar o nariz-de-cera, um lugar aprazível. O viajante senta-se por aqueles bancos, divaga ao longo das áleas, vai vendo as estátuas, naturalistas por via de regra, mas algumas de boa factura, e depois entra no museu. (…)

 

Também nas Caldas  da Rainha se deverão ver as cerâmicas. O viajante confessa que tem um sério amor por estes barros, e tão aberto que precisa de vigiar-se para não cair em tolerâncias universais.  Não se toma por entendido na matéria, mas é familiar da D. Maria dos Cacos, do Manuel Mafra, dos Alves Cunhas, dos Elias, do Bordalo Pinheiro,  do Costa Mota Sobrinho, para não falar de anónimos fabricantes que não punham marca nas suas peças e tantas vezes  as modelavam magníficas. Se o viajante começa a falar de louças das Caldas, há risco de levar o dia todo: cale-se pois, e siga viagem.

 

Não vai já, porque primeiro ainda há-de apreciar a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, classificada de pré-manuelina por quem destas coisas sabe, ainda que fosse muito mais interessante para o viajante saber como a estariam classificando os arquitectos dela em 1485, data da fundação, dez anos antes de ser aclamado rei D. Manuel. (…)”

José Saramago, in Viagem a Portugal 

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Dia Nacional da Língua Gestual

15 Nov

Assinala-se hoje o Dia Nacional da Língua Gestual.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) apurados através dos Censos de 2001, existem em Portugal mais de 84 mil pessoas com deficiências auditivas, nomeadamente crianças, que a maior parte das vezes se deparam com inúmeros obstáculos de aprendizagem, sobretudo porque a grande maioria dos professores não tem formação em língua gestual. Foi também a pensar neles que Ana Bela Baltazar, intérprete de língua gestual desde 1994, decidiu elaborar o primeiro Dicionário de Língua Gestual Portuguesa, editado recentemente pela Porto Editora.

 

“O projeto foi pensado e direcionado para a comunidade ouvinte, que quer aprender os movimentos da língua gestual, mas também para a comunidade surda que tem muitas dificuldades no que à interpretação da língua portuguesa diz respeito. Por vezes, a explicação que está escrita nos dicionários não é totalmente clara para um surdo.  Neste dicionário isso não sucede, porque a explicação é acompanhada de uma imagem em língua gestual”, esclarece a autora, que, depois de ter trabalhado alguns anos no ensino, se apercebeu que “a maior parte dos professores não tem formação em língua gestual, pelo que ao ensinar uma criança surda encontra grandes dificuldades, sendo que também eles beneficiam com a publicação deste dicionário”. 

Mas desengane-se quem pensa que aprender esta língua é fácil. A cantora e intérprete de língua gestual Paula Teixeira relembra que quando começou a aprender língua gestual pensou várias vezes em desistir ” porque não é fácil, existem muitos gestos e a língua está sempre em constante evolução. Se não tivermos com quem praticar torna-se complicado”.

Uma ideia partilhada por Ana Bela Baltazar, que acrescenta “tal como qualquer outra língua, esta não é uma língua fácil de se aprender e requer talvez um pouco mais de prática para se dominar correta e fluentemente. Por vezes, é complicado conseguir ficar a falar a língua gestual apenas com um curso rápido, são necessários alguns anos de aprendizagem, sendo que também é importante reunir algumas características específicas de expressividade, não só ao nível das mãos, mas também do próprio corpo”.

Por norma os cursos de língua gestual são ministrados nas várias valências da Associação Portuguesa de Surdos existentes no país, sendo que existem cursos específicos de iniciação que permitem às pessoas interessadas perceberem se têm ou não apetência para aprender esta língua. M. J. F.

Jornal Dica da Semana, semana de 18 de Novembro de 2010 (distribuição gratuita)

 

Boas Ideias…

10 Nov

Recebi, através de uma colega, a ideia que se segue:

Tampas de Garrafas  
Podemos aproveitá-las para fechar sacos e torná-los herméticos. Uma ideia ecológica que contribui para a preservação do planeta.
 

Corta a garrafa,  mantendo o gargalo e a parte superior. Insere o saco de plástico no gargalo e gira a tampa para fechar. Muito fácil!

Redundância, Tautologia, Pleonasmo

1 Nov

A redundância é um conceito amplo relacionado com o excesso de palavras. Usa-se a expressão redundância de estilo em relação a um texto, autor ou estilo de uma época, quando há abuso de “enfeites” no discurso.

 

A tautologia, em relação à Estilística, é um vício de linguagem que consiste na repetição da mesma ideia por palavras diferentes (longas explanações orais ou escritas).

 

O pleonasmo é também uma forma de redundância com repetição de ideias ou palavras com o mesmo sentido. Revela-se frequentemente em pequenas construções frásicas. Há pleonasmos evitáveis, como avançar para a frenteentrar para dentro e descer para baixo. No entanto, também os há expressivos e estilísticos (Eu digo-te isto só a ti; Ó mar salgado…).

Neste vídeo podem encontrar outros exemplos.

Palíndromos

30 Out

Sabem o que é um palíndromo?

Um palíndromo é uma frase ou palavra que se lê de igual modo (tem o mesmo sentido) da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda. Poderá também ser um número (capicua). Os palíndromos vocabulares e frásicos são meras curiosidades linguísticas.

Radar

Roma é amor.

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 Roma me tem amor.

Esope reste ici et se repose.

(Sítio Ciberdúvidas da Língua Portuguesa)

 

(Sítio Pitanga 290)

Asinoterapia – Utiliza o Burro como Elemento Terapêutico

4 Out

AEPGA – Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino

O Dia Mundial do Animal assinala-se no dia 4 de Outubro, numa altura em que são cada vez mais os estudos que comprovam os benefícios da utilização de animais em diferentes terapias. Em Portugal, o burro mirandês tem demonstrado o seu “valor” através da Asinoterapia.

O conceito pode ainda não ser muito vulgar, mas, aos poucos, a Asinoterapia começa a dar os primeiros passos em Portugal, nomeadamente através do trabalho desenvolvido pela AEPGA – Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino. Trata-se de uma terapia complementar, com resultados muito semelhantes aos da Hipoterapia, mas que em vez do cavalo como elemento terapêutico utiliza o burro.

Na Asinoterapia “o burro de Miranda é utilizado como co-terapeuta, graças ao seu temperamento dócil e ao facto de ser um animal paciente, atento, dotado de uma excelente memória, fisicamente robusto e estável ao nível físico e emocional”, explica Joana Braga, da AEPGA, acrescentando que “esta terapia recorre a um conjunto de técnicas de educação e de reeducação do indivíduo, com o objectivo de fazer com que este ultrapasse, na medida do possível, danos sensoriais, motores, cognitivos, afectivos e/ou comportamentais”.

Desenvolvida na Bélgica, no início da década de 70, a Asinoterapia, ou Terapia assistida por Asininos, é hoje em dia utilizada em diferentes países, tendo-se revelado um complemento terapêutico eficaz no tratamento de várias patologias, tais como o autismo, o défice de atenção, a distrofia muscular, a hiperactividade e a Síndrome de Down, mas também desordens emocionais, problemas de adaptação social e reabilitação de estados de ansiedade.

De acordo com Joana Braga, a Asinoterapia engloba a técnica de Equitação Terapêutica e a técnica de Portage. A primeira “baseia-se na implementação de uma série de actividades terapêuticas que usam o burro numa abordagem interdisciplinar. A intenção é melhorar as funções neurológicas e sensoriais do utente, pelo que as técnicas de equitação não são contempladas como um objectivo.

Por outro lado, a técnica de Portage permite criar condições para que o utente se deixe levar pelas suas sensações e emoções. Nesta abordagem, o utente é colocado por dois monitores no dorso do animal, experimentando diferentes posições. O corpo do utente, em contacto com o corpo do animal, é depois massajado e embalado através do calor que o animal emana e das suas movimentações corporais, criando momentos singularmente íntimos, que permitem ao utente atingir um elevado grau de descontracção, o que lhe permite uma mais fácil compreensão de si mesmo”.

Em Portugal já é possível recorrer a esta terapia complementar na AEPGA, na Associação Orelhas sem Fronteiras e na CERCI Flor da Vida. M.J.F.

Principais benefícios da Asinoterapia:

Confiança – permite o desenvolvimento de sentimentos de confiança e, consequentemente, o aumento da auto-estima relativamente às próprias habilidades de interacção e relacionamento afectivo com o animal.

Força – permite o fortalecimento do tónus muscular, bem como uma maior sensibilidade, relaxamento e flexibilidade muscular.

Equilíbrio – contribui para corrigir a postura do corpo, permitindo o aumento do equilíbrio. Conduz igualmente a uma tomada de consciência sobre o posicionamento do corpo no espaço.

Coordenação, Atenção e Memória – durante uma sessão de Asinoterapia o utente tem necessidade de aplicar o que já aprendeu e de se concentrar em múltiplos aspectos. Por estas e outras razões, esta prática permite o aumento do domínio sobre o próprio corpo.

Mobilidade – com a prática e o devido acompanhamento, o paciente passa a disfrutar de movimentos mais rápidos, livres e independentes e simultaneamente assiste-se a uma redução dos padrões anormais de movimento.

Prazer – durante as sessões surgem com frequência momentos de grande ternura e diversão. Os benefícios desta prática traduzem-se numa diminuição da tensão arterial e da frequência cardíaca, relaxamento muscular e sentimento de realização, ou seja, num sentimento de grande prazer.

Jornal Dica da Semana, semana de 7 de Outubro de 2010 (distribuição gratuita)